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Calote na cultura 18/06/2011

Posted by Clotilde Tavares in Sem categoria.
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Hoje abri o jornal Tribuna do Norte e li a matéria sobre o calote dos órgãos públicos na área da cultura, duro calote imposto aos artistas que trabalharam no Festival Agosto de Teatro, (realizado em outubro de 2010) e no Dia da Poesia (14 de março de 2010). O primeiro é um calote estadual, da alçada da Fundação José Augusto. O segundo, um calote municipal, de responsabilidade da Funcarte.

Aí eu me lembrei do ano passado, quando Ivonete Albano me convidou para dar uma oficina nesse mesmo Festival Agosto de Teatro. Pedi um tempo para pensar, escaldada que estava de calote idêntico que o Governo da Paraíba vinha ensaiando comigo, porque eu havia dado uma oficina no Fenart (Festival Nacional de Arte) em João Pessoa no mês de maio e ainda não tinha recebido o pagamento.

Eu acho um absurdo essa lógica de que “trabalhar para o Estado é assim mesmo, demora-se muito a receber”. Se a burocracia para o pagamento é grande, por que não diminuem o trâmite, por que não agilizam? Quando querem, quando é do interesse deles, num instante fazem tudo depressinha. Pois é.

Então, voltando ao tema, quando eu estava para decidir se iria dar ou não a oficina no Festival Agosto de Teatro chegou um convite para fazer um trabalho em São Paulo, na mesma época. Falei com Ivonete Albano, coordenadora do Festival e ela foi muito gentil, me dispensando do compromisso. Aí lá fui eu para Sampa, onde trabalhei, recebi meu dinheiro e escapei de tomar esse calote monstruoso que envolve não somente os artistas locais como gente de outros estados e com nome conhecido, como Amir Haddad e Kil Abreu.

Essas duas histórias de dívidas não pagas que são o tema da matéria da Tribuna do Norte são apenas duas histórias, porque existem muitas, inúmeras. Você, que é da cultura e está lendo este post, deve conhecer pelo menos uma história de dívida não paga.

O fato é que o poder público do Rio Grande do Norte – e quero dizer Governo do Estado e Prefeitura de Natal – não respeita os seus artistas, não respeita os trabalhadores da cultura e não respeita o povo para quem nós produzimos.

A incompetência da gestão pública na área da cultura neste Rio-Grande-Sem-Sorte percorre amplo leque de inoperância, incúria administrativa e percepções equivocadas da atividade cultural. Vai desde a ausência de uma política cultural, passando por um plano de aplicação dessa política – que não existe – com dotação orçamentária que viabilize esse plano até a falta de respeito pura e simples como vemos nas entrevistas que dirigentes culturais concedem aos jornais.

Confesso que hoje de manhã, ao abrir o jornal, fiquei triste de ser artista e de morar no Rio Grande do Norte.

 

Nota: O Governo da Paraíba me pagou o cachê do Fenart em outubro de 2010, quase às vésperas do segundo turno das eleições, mas isso só depois que eu botei a boca no trombone pelo twitter e fiz uma zoada tão grande que eles acharam melhor me pagar. Sei que outros grupos e artistas que trabalharam não receberam até o dia de hoje.

 

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